Entre o Bem e o Mauro


Mauro, o japonês

 

Essa aconteceu comigo há alguns anos atrás, mas vale a pena registrar. Um dos maiores sonhos do ser humano diante das dificuldades financeiras é a estabilidade profissional. De preferência com um salário interessante. Mas, exceto por vias ilícitas ou por pura sorte, para se obter este sonhado “presente” é preciso pagar um preço. Uma das alternativas mais conhecidas para a estabilidade é a realização de um concurso público, e os editais bombam a toda hora, com vagas diversas e salários tentadores. Mas para ser aprovado, o candidato precisa estudar muito, mas muito mesmo. E eu, numa fase de desilusão profissional e de precariedade financeira, resolvi tentar.


Era um concurso da Caixa Econômica e o salário variava entre 9 e 15 mil reais. Suficiente para atrair milhões de pessoas em todo o país. Algumas peculiaridades tornavam o desafio mais complicado: eram somente 10 vagas para cada cargo e a concorrência girava em torno de 400 candidatos por vaga. As questões envolviam cálculo, português, inglês, informática, redação e conhecimentos gerais. Precisava me preparar mesmo.


Devidamente preparado (ok, estudei só de fim de semana e bem nas coxas), fui ao local da prova. Cheguei com caneta, lápis, borracha e o espírito de “vou desencanado e confiar na intuição”. Entrei na sala e, para minha surpresa, fiquei sabendo de um detalhe curioso e, no mínimo, desanimador: a classe estava lotada...de Mauros. Sim, amigos, eram cerca de 70 Mauros em um só recinto. Em mais de 30 anos só conheci pessoalmente 1 Mauro e naquele dia eram 70. Eram Mauros afros, magros, nerds, gays, ubersexuais, esquizofrênicos, descolados, chiques, empresários, enfim, uma clã dos Mauro em busca de um só objetivo.


Mas um deles me chamou a atenção e é a razão de ser desta crônica: o Mauro japonês. E um japonês realizando uma prova significa uma chance a menos para você. Quando esse japonês ainda é seu homônimo, sendo que seu nome não é tão comum, pode esquecer, a concorrência está além desta dimensão. O Mauro japonês era coreano como qualquer chinês: olhos puxados, cabelos lisos estilo tijela e concentração estilo ninja budista em missão impossível em um ambiente que extermina qualquer ser que emita sons.


Naquela hora eu já praticamente jogava a toalha e fazia a prova em completo relax. Cada questão que eu lia, dava uma bisbilhotada no Mauro Lee Wong Hoo, que sentava-se a minha frente, sentido diagonal. Sua postura, sua respiração, sua maneira de escrever acusavam que ele estava seguro de suas respostas e que uma das vagas fatalmente seria de um legítimo Mauro do Sol Nascente. Certamente ele ficou enclausurado no Monte Sinai, se alimentando de água da chuva e folhas de papoula-roxa, devorando as apostilas.


Horas depois, eu já comecei a chutar questões que nem a intuição me ajudavam. E o Mauronês (Mauro Japonês) estava lá, todo seguro e concluindo a prova. Com a convicção de ter gabaritado, o japa-xará começou a preencher a ficha de respostas. Mas foi no meio dessa operação que algo trágico aconteceu. Em certo momento, eu ouço o barulho de um forte tapa, vejo o deslizar das mãos em seu rosto seguido da frase: “Puta que pariu, fudeu!”. Era o desfecho que ele não esperava. Provavelmente sonhando com os prazeres que um alto salário poderia proporcionar aos seus entes amarelados queridos, o João Ponês Mauro deve ter pulado uma questão, sem perceber, e ter dado continuidade, anotando as respostas erradas. E como o fiscal deixou bem claro que não seria tolerado qualquer erro ou rasura na folha de respostas, o Sr. Visão Linear não teve outra alternativa senão sair à francesa, ou à JaPÃO Francês. E voltou à sua barraca de pastel, tinturaria ou similar....Idiota, não soube representar com dignidade a classe dos Mauros.



Escrito por Mauro Teixeira às 03h29
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O mistério da máquina fotográfica

 

Um dos grandes problemas de fatos misteriosos é que, geralmente, ele só é presenciado por uma única pessoa, o que bota em risco a credibilidade do mesmo. Agora, quando algo surreal acontece e conta com a testemunha de duas pessoas, é de causar arrepios múltiplos. E foi o que aconteceu no noite de sábado para domingo passado. Olha, eu até me emociono em descrever o ocorrido, juro que nunca imaginei passar por isso.


Era um sábado quente de primavera e nossa missão era participar de uma tradicional festa à fantasia, em comemoração ao aniversário de uma grande amiga de minha esposa. Até aí tudo bem, provavelmente essa era a 28.566ª festa à fantasia que estava ocorrendo simultaneamente no mundo inteiro. Mas no decorrer desta crônica, vocês perceberão que ela foi única e intransferível.


Eu estava vestido como um autêntico sheik árabe e minha esposa como Emília, do Sítio do Pica Pau Amarelo. Tudo começou bem, os amigos se divertiam com as fantasias, a música animava o ambiente e cada um agia como se tivesse incorporado seu respectivo personagem. Com o tempo, fui me desvinculando da figura de um árabe rei dos barris de petróleo para seu um rei do barril de chopp. Tanto que eu perguntava: “Onde está o garçom da cerveja?” e meus amigos respondiam: “Alá, alá” (péssima, eu admito).


A bebida subia e cada vez mais eu ficava pra lá de Bagdá. Era um autêntico Mauromé com muito mé, cachacis e cervejis – em homenagem ao eternis Mussunzis, eu era um MUSSUMano. Bom, mas chega de trocadilhos. Vamos ao fato.


O relógio apontava altas horas da madrugada, quando minha esposa se aproxima de mim, segurando nossa máquina digital. Ela coloca o equipamento em minha mão e diz: “Olha, caiu o botão que dispara a foto”. Eu não acreditava naquilo, a máquina era nova, como poderia cair o botão? Mas o fato era que havia um buraco onde deveria estar o botão. Ciente de que seria improvável encontrá-lo no meio da festa, decidimos retomar a busca no final, ao acender das luzes.


Mas, para nossa surpresa, olhamos novamente a máquina e o botão estava lá, como se nunca tivesse abandonado a sua posição. Meu olho e o de minha esposa se esbugalharam em um misto de medo e êxtase cósmico. Foram alguns segundos de silêncio e a frase “Você viu o que eu vi?”. E mais alguns segundos de silêncio e a busca de uma explicação humana para o ocorrido. Nada. Nem Mr. M poderia explicar o que acabara de acontecer. A máquina, antes com um buraco, estava intacta, com o botão no local certo, sem que ela tivesse saído de minhas mãos. Nesse momento nos sentimos como em Matrix. Tudo em slow motion, a música distorcida, as pessoas dançando em câmera lenta e eu e minha esposa nos encarando, totalmente anestesiados pelo grande mistério que invadia nossa existência.


Visivelmente assustados e completamente chapados com a clara presença extraterrestre entre nós – sim, só podia ser essa a explicação – eu e minha esposa buscamos a força energética dos amigos para compartilhar a abdução que sofremos. Foi quando a irmã de minha esposa pegou a máquina, com aquela cara de saber a resposta, e fez uma pequena demonstração que mudaria nossa noite. Ela segurou-a de cabeça para baixo e fez o seguinte comentário: “Seria este o buraco que vocês viram?”. Sim, meus amados leitores, estávamos segurando a máquina de ponta-cabeça e o buraco que vimos era onde deveria ser instalado um tripé.


Meu olho e o de minha esposa se esbugalharam....segundos de silêncio....”Nossa, que louco”....mais silêncio....o garçom passou, pegamos cerveja e rumo à pista de dança, pois o show não podia parar.



Escrito por Mauro Teixeira às 01h47
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Obama Chopp

By Kibeloco


Escrito por Mauro Teixeira às 02h55
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Almoço Estranho

 

O almoço é uma hora onde desligamos das agruras do dia de labuta e alimentamos a nossa alma para recompor a energia desgastada do período matutino. Pelo menos era para ser.


Estava eu, almoçando tranquilamente, quando avisto um grande amigo de outrora. Houve reciprocidade, ele me avistara também. O jovem mancebo, ex-companheiro de trabalho, se aproximou de mim e disse, com voz lânguida: posso sentar-me aí com você? Não havia motivos para recusar sua companhia, era um velho amigo e poderíamos papear com leveza, sem atrapalhar o desfrutar desta saborosa refeição. Aceita a proposta, meu velho amigo foi fazer seu prato enquanto eu ajeitava a mesa para sua presença.


Alguns minutos depois, ele chega com um prato que não condiz com sua estatura – ele tinha seus 1,90 m e respeitáveis 110kg. Estranhei, porém não questionei. Continuei a degustar meu almoço, esperando pelo primeiro assunto abordado na mesa. Após alguns segundos de desconforto e tentativas frustradas de achar a melhor posição para sentar-se à mesa, o nobre amigo inicia a conversa com os básicos: “E aí? Como está a vida?”, “Tá trabalhando onde?” e “Casou?”. Só que não havia empolgação em seu tom de voz. Tive que interferir no andamento da conversa.


Olhei para seu rosto e observei gotas graúdas de suor. Podia ser o calor que faz em nossa cidade, mas aquelas gotas não eram normais. A curiosidade tomou conta de mim e tive que perguntar: “Está tudo bem com você?”. Ele fez um gesto discreto de negação e a voz trêmula proferia: “Cara, tomei todas ontem, não estou muito legal”. Comecei a rir, pois já passei por isso incontáveis vezes. Daí a conversa começou a fluir. Ele contava do dia anterior, de quanto ele bebeu, que horas chegou, etc.


Apesar disso, as gotas não paravam de escorrer de sua testa. Nem os guardanapos davam conta da pororoca de suor. Nessa hora, ele curva seu corpo para trás, coloca a mão na barriga e diz: “Nossa, essa comida está descendo quadradaaaaaaa hugoooooo royyyyyyyyy vomitssssss mother fuckerrrrrrrrr isso é calypsooooooo”. O cara vomitou tanto que fez o exorcista parecer um escoteiro bom samaritano. Após segundos deste espetáculo dantesco, ele se reestabelece – pelo menos fisicamente – e olha pra mim...bem profundamente, enverga os olhos, dá uma soluçada, limpa a boca e diz: “Acho que vou embora!”. E seguiu rumo ao caixa para pagar a conta. Não deu nem tempo de pedir uma coca-cola ou algo do estilo. Não preciso nem dizer que ali acabou o meu almoço também. Não conseguiria.


Nesses poucos segundos a minha mesa foi o foco das atenções. Fiz aquela cara de “não tenho nada a ver com isso”. Fui ao caixa, paguei meu almoço e fui embora. Lá fora estava meu amigo apoiado no muro e vomitando o resto que sobrava. Passei perto, bati em suas costas e disse: “Falou, se cuida”. E ele: “Vamos combinar um almoço qualquer dia, huááááááá, hugooooo, royyyyy”. Melhor não.



Escrito por Mauro Teixeira às 01h06
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Roupa de balé

 

Acabei de ler uma daquelas notícias que desconsertam a nossa vida. Estava verificando as principais manchetes do portal Globo.com, quando me deparo com a notícia de que Alinne Moraes foi vista fazendo compras em supermercado carioca. Até aí, nada demais. Mas o desfecho foi tão bombástico que certamente ofuscou a vitória de Barack Obama nas eleições norte-americanas. Alinne não estava simplesmente fazendo compras, ela estava fazendo compras vestindo roupas de balé. Sim, meus amados leitores. Alinne Moraes, modelo, atriz e, suponho, bailarina, estava fazendo compras com uniforme de balé.


Ô, Alinne, que deslize, hein? Isso não se faz. Você podia passar em casa e colocar uma roupa de supermercado. Se você estivesse em uma academia de balé, tudo bem, estaria adequado o uso de vestimentas de balé. Cáspita, mas você estava em um supermercado, então vista-se para esta ocasião. Você é uma pessoa famosa e seus fãs certamente a vêem como uma referência. Você tem que medir suas consequências. Já imaginou se algum cliente do supermercado resolve aparecer com carrinho de compras em um espetáculo do Bolshoi. E o pior: imagina este cliente levando 5 kg de peixe. Terrível, não.


Eu sei que sua vida é corrida e na hora não percebeu o que significa ir ao supermercado com roupa de balé. Mas vou te ajudar. Imagina uma criança vestida de senhor feudal adentrando uma clínica de tratamento de osteoporose aguda? Você vai pensar: “Nossa, nada a ver”. Pois então, nada a ver. Como diz Eurípedes da Cunha Xavier durante as cruzadas irlandesas em meados do inverno de 1788: Ado, a, ado, cada um no seu quadrado!


Uma pessoa admirada por vários fãs como você deve contar como um assessor de rotina full time. Basta um desleixo para acontecer isso. Mas você é jovem, ainda está no princípio da carreira. Te desculpo desta vez. Mas não faça mais isso. Pelo Brasil!



Escrito por Mauro Teixeira às 03h49
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Camaleão

 

Era uma vez um camaleão. Ele vivia em uma floresta tropical ao sul da Guiana Inglesa. Todo dia, logo de manhãzinha, ele saía para dar uma voltinha. Camaleão tinha uma particularidade muito peculiar: Ele trocava constantemente de roupa, cada hora de uma cor. Certo dia, ele sai de sua toca todo de cinza. No meio do caminho ele encontra seu amigo, o GREENLO falante, que lhe diz: “O cinza não lhe cai bem, Camaleão, porque não veste o verde?”. Camaleão aceitou o conselho e voltou para a toca para mudar de roupa.


Já de verde e com o sinal de aprovação de seu amigo tagarela, Camaleão passeava pelos campos verdejantes. Perto do lago, ele encontra seu camarada, o ORANGEotango, um macaco argentino, que lhe disse: “Deixe-me VER DE perto....no, no, verde no. Laranja fica muy mejor”. E toca o Camaleão de volta para a toca. Minutos depois, ele sai, todo alaranjado.


O Camaleão se aproximava do cajueiro quando tromba com o YELLOWfante. “Nossa, meu amigo, esse tom laranja é muito chamativo. Tente o amarelo”, disse o paquiderme amarelado. E mais uma vez o Camaleão volta para sua casinha, já roxo de raiva. Não demorou muito e lá vinha ele de amarelo, com cara de poucos amigos.


Eis que, entre os eucaliptos, aparece o JacaRED. E começa a mesma ladainha: “Camaleão, esse amarelo não está com nada. Vista o vermelho, você vai ver que é melhor”. E o Camaleão dá meia volta, percebendo que a coisa já estava ficando preta para seu lado. Uma pequena pausa e ele volta todo rubro.


Ele andou, andou e ninguém falou. Acreditando ter finalmente sossego, uma voz vem lá do alto. Era o uruBLUE, que gritava: “Camaleão, vermelho não. A ZULmira, minha esposa, disse que você fica bem de azul”. O Camaleão se impacientou e decidiu: “Vou radicalizar”. E o camaleão sumiu. Foram dias sem a sua presença. Seus amigos estranhavam, todos se perguntavam, alguns se preocupavam...onde está o Camaleão.


Após algumas primaveras, eis que uma luz sai da toca do Camaleão. Uma música dançante anuncia sua volta e tchanammm!! O Camaleão sai com seu novo visual, e se transforma em um arco-íris (arco-íris agora tem acento ou não?). “Agora vou agradar a todos, tenho um pouco de cada cor”, diz o réptil desvairado. Os animais, emocionados, aplaudem calorosamente a atitude do Camaleão.


Mas um terrível acidente aconteceu: o Camaleão, que desfilava em uma árvore centenária, foi cortado ao meio por uma serra. Resultado, ele foi dividido ao meio. Do lado direito, uma cama. Do lado esquerdo, um leão. O leão olhou para a cama e disse: que sono, vou dormir. E dormiu.



Escrito por Mauro Teixeira às 04h20
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Haloween

 By Buzz

Escrito por Mauro Teixeira às 04h07
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Mais crise

 

A crise econômica e as oscilações nas bolsas do mundo inteiro estão tão intensas que daqui a pouco ocorrerá algo mais ou menos assim:


No Banco de Neve


  • Boa tarde, eu estou com 2 mil dólares para aplicar neste banco. O que você me sugere?

  • Bom, vai depender do seu objetivo. Nós temos a poupança, CDB, RDB, títulos, ações, enfim, depende de uma série de fatores

  • Mas no momento, qual o ideal?

  • Você pode comprar ações de nosso banco. Estão em alta

  • E qual o rendimento mensal

  • Bom, nossas ações estão rendendo 5,08% ao mês

  • Nossa, pode aplicar. Estão aqui os 2 mil.

  • Você fez um ótimo negócio. Não é em qualquer lugar que você tem um rendimento de 3,99% ao mês

  • Opa, não era 5,08%?

  • Imagina, com o dólar valendo 3,77 reais, isso é impossível

  • Quanto está valendo o dólar?

  • R$ 2,20

  • Vocês estão loucos. Pode devolver meu dinheiro

  • Ok, aqui está. 500 dólares

  • E os outros 1.500?

  • Suas ações desvalorizaram 399%

  • Então vende já

  • Vendido, mas vc fez um péssimo negócio?

  • Porque?

  • Você vendeu tudo à 200 dólares e as ações valorizaram muito com a fusão de nosso banco com uma holding americana. Você poderia ganhar 2 milhões de euros

  • Que fusão? Quando?

  • Não tá sabendo? Nosso banco faliu há 30 segundos

  • E a holding comprou há 15 segundos?

  • Não, a holding foi comprada por uma padaria de ipaussurama do bom jesus

  • Nossa, então esquece as ações. Muito complexo. Coloca tudo na poupança

  • Mas você perdeu tudo. Inclusive consta aqui que sua casa está penhorada por falta de pagamento

  • Pára, o que eu faço pra reverter?

  • Tem que pagar 5 mil

  • Ok, aqui está o cheque

  • Não aceitamos cheque desse banco

  • Como não, esse cheque é daqui

  • Não. Aqui é o Banco Zinho e esse cheque é do Banco de Neve

  • Como assim? Sempre venho aqui. Me chama o gerente dessa merda

  • Sinto muito, não trabalho mais aqui. Fui demitido. Mas vou chamar algum funcionário

  • Faça isso

  • Pois não, pastel de carne ou queijo

  • Tá louco, quero retirar todo meu dinheiro desse banco

  • Acho que você se enganou. Isso aqui é uma loja de 1,99

  • Tá, então vou levar esse carrinho de plástico

  • Cara, você é um felizardo. As ações da Prástico Xexéu SA subiram 258217521% Você está milionário

  • Sério?

  • Não, já caiu de novo.



Escrito por Mauro Teixeira às 02h18
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Menina Veneno

 

Uma das grandes virtudes do Homem é a fidelidade à sua personalidade. É não ter vergonha de atos passados e admitir com segurança possíveis “desvios” que possam comprometer sua honra no presente. E eu não tenho medo de falar. E vou provar contando algo que pode manchar minha credibilidade.


1983, Campinas/SP


Início dos anos 80, estava caminhando para meus 12 anos e entrando em uma fase onde minha personalidade estava se formando. Toda e qualquer decisão pessoal poderia ser crucial na indicação das características definitivas do meu jeito de ser e de viver. Essa época, portanto, era delicada e fundamental para o meu destino.


Tenho que admitir que eu era uma criança um pouco distante do normal. Gostava de viver em casa, não tinha amiguinhos de rua, não desgrudava de meu saudoso ursinho de pelúcia e só não tinha um amigo imaginário porque eu era completamente anti-social. Um bichinho do mato mesmo.


Mas havia 2 coisas que eu adorava fazer em meados do início da década oitentista: dormir e ouvir música. E era nesta última que eu me libertava deste mundo introspectivo que dominava minha frágil pré-adolescência. Não tinha nenhuma preferência musical, simplesmente gostava de ouvir qualquer arranjo musical, desde que bem elaborado e sonoro para meu aparelho auditivo.


Mas algo mudou quando ouvi os pimeiros acordes de uma canção que tornar-se-ia um sucesso das paradas musicais. Logo descobri que tratar-se-ava de um cantor inglês. E vocês imaginam: Iron Maiden? Yeah!!! Ozzy? Heavy Metal!!! Black Sabbath? Die!!!! Rolling Stones? Rock´n´Roll!!! Beatles? Peace and Love!! Não, meus amados leitores. Antes eu me sentia encabulado, mas não posso resconder. O cantor inglês era Ritchie. Sim, o autor do hit Menina Veneno. Decepção, né? É, mas isso foi além....


A música entrou tão profundamente em mim (ui!) que desenvolvi uma dependência sonora pelas canções de Ritchie. Eu cheguei ao ponto de ligar nas estações de rádio AM para pedir que tocassem seus sucessos. Eu ficava deprimido quando eles não figuravam nos “5 mais”, “top ten” e as “melhores do dia”. Lágrimas escorriam de meu rosto enquanto eu cantava, emocionado, as românticas canções deste britânico-tupiniquim. Chegava a simular um clip do cantor, com direito a caras, bocas e coreografias.


Eu fiquei tão viciado que cheguei a chorar para que minha mãe comprasse o Long Play, mais conhecido como disco de vinil, de Ritchie. Este era o limite entre ser um adolescente socialmente tradicional ou uma bicha desvairada e engolidora do pepino alheio. Estava há um passo de ser o primeiro emo da década de 80. Para me agradar e sem saber os riscos desta decisão, meu pai trouxe o disco do Ritchie. Minha felicidade foi tanta que mal agradeci e já coloquei o LP na vitrola e comecei a dançar ao som de Menina Veneno, sob olhares desconfiados dos meus pais.


Por muito pouco não me tornei a menina veneno desvairada...



Escrito por Mauro Teixeira às 01h51
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Blasfêmia



Escrito por Mauro Teixeira às 00h55
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Desculpem por este texto

 

Na pizzaria


  • Por favor, uma pizza meia muzzarela, meia calabresa

  • Com borda de catupiry?

  • Sim, pode ser

  • Ok, confirmando. Pizza meia calabresa, meia muzzarela com borda de catupiry

  • Sim, só que é meia muzzarela, meia calabresa com bordas de catupiry

  • E o que foi que eu disse?

  • O senhor disse meia calabresa, meia muzzarela e é meia muzzarela, meia calabresa

  • Então sem borda de catupiry?

  • Por acaso você é burro?

  • Ué, você acabou dizer que não é meia calabresa, meia muzzarela e, sim, meia muzzarela, meia calabresa

  • Então...

  • Só que o senhor não citou a borda

  • Mas é que o foco estava na meia muzzarela e meia calabresa

  • O senhor me desculpe, mas se não descriminar exatamente o que quer, corro o risco de fazer uma solicitação equivocada e criar um mal-estar com você, o que pode significar a perda do emprego que muito significa em minha vida.

  • Ok, então borda de catupiry.

  • Ok.

(minutos depois)

  • Aqui está, senhor

  • O que é isso?

  • Borda de catupiry, não foi isso que pediu?

  • Você só pode estar brincando. E a pizza meia muzzarela e meia calabresa?

  • Você que é maluco. Eu pedi que descriminasse exatamente o que quer e você disse claramente: borda de catupiry.

  • Mas eu disse antes que era pizza meia muzzarela e meia calabresa, não disse?

  • Disse, mas achei que havia mudado de idéia

  • E quem é o louco que pede só a borda?

  • Olha, comigo foram vários

  • Lógico, você é um retardado mental

  • Eu? Você que começou a encrencar que pizza meia calabresa, meia muzzarela é diferente de meia muzzarela e meia calabresa

  • E lógico que é. Colocando primeiro a calabresa, ela retira as propriedades do sabor da muzzarela

  • E se colocar primeiro a muzzarela?

  • Não sei, nunca pedi desse jeito

  • Então vou trazer para você experimentar, que tal? É por nossa conta

  • Ok, mas só com uma alteração. Antes da muzzarela, coloca a calabresa

  • Ok

(minutos depois)

  • Aqui está, bom apetite

  • Como assim, e a borda de catupiry?

  • Mas essa pizza é cortesia da casa. Não tá inclusa a borda.

  • Então não quero mais

  • ok

  • ok, tchau



Escrito por Mauro Teixeira às 04h38
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Porco alucinógeno

 

Sexta-Feira passada eu vivi uma noite surreal. Só pode ser. Eu tive alucinações, contato com seres de outros planetas e não duvido que tenha sido abduzido por vaga-lumes fluorescentes da Terra do Nunca.


Tudo caminhava para ser uma noite normal. Preparamos um jantar para um casal de amigos recém-casados, tomamos uma cervejinha e beliscamos alguns petiscos. Singelo, não? No cardápio que preparamos, uma suculenta carne de porco enxarcada com limão. Acho que foi a partir daí que tudo começou. Sinceramente eu acredito que a carne do porco em contato com o limão deve ter liberado doses cavalares de ácido lisérgico, mais conhecido como LSD.


Após a sobremesa, os convidados foram embora e eu e minha esposa, cansados da semana de trabalho, resolvemos nos recolher aos nossos aposentos. Ligamos a TV e esperamos o sono chegar. Já com os olhos pesando toneladas, um grande susto fez nossos corações dispararem. Uma grande explosão fez a casa tremer e, em seguida, as luzes se apagarem. Demorou, mas recuperamos do trauma. E, sem luz, resolvemos antecipar a dormida.


Alguns bons minutos depois, minha noite aconteceu em flashs. Primeiro ouvi um blá-blá-blá incessante e extremamente incisivo em minha mente. Voltei a dormir. Não sei exatamente quanto tempo após, mas meu celular começou a tocar. Só que era um toque diferente, algo lúdico que vinha das profundezas da minha subconsciência, esquina com meu ID Superego Cerebelético. Acordei completamente zureta, como se tivesse bebido 10 latas de cerveja...ops, eu tinha bebido mesmo.


Atendi o celular, ainda sem recuperar a consciência, e ouvi uma voz assombrosa ordenando que eu me deslocasse até a parte externa de minha casa. Fui até lá quando me deparo com uma cena intergaláctica: um enorme caminhão da Companhia de Luz com todos os faróis e holofotes ligados, um homem todo equipado subindo uma escada rente ao poste onde estava localizado o transformador e o carro de minha esposa bem embaixo, protegido com um colchão para evitar danos.


Imagine ver essa cena completamente sonolento. Eu já não sabia distinguir a realidade da ficção. Me sentia em Matrix e jurava estar vendo os guardiões do mundo virtual invadindo Zion. Eu estava no meio de várias pessoas, de pijama rasgado no reguinho, retirando o carro do local da explosão. Em meio ao zum zum zum, descobri que o motivo de tudo isso era um pombo que se alojou, equivocadamente, dentro do transformador, provavelmente confundindo-o com um ninho. Até me mostraram a foto, tirada de um celular, do pássaro errante após a explosão. Era metade em carne viva e a outra carbonizada.


Naquela hora pensei: aquela carne de porco com limão alucinou geral. O que eu estou vivendo aqui não é deste plano dimensional. Todas essa luzes, essas máquinas, essa conversa, preciso sair logo daqui. Parei o carro em outro lugar, desci e caminhei rumo à minha casa com direito “àquela” arrumada no pijama. Só pode ter sido um sonho.


E quer saber o mais misterioso de tudo isso? No dia seguinte perguntei para o casal que jantou com a gente e mora no mesmo condomínio: Vocês ouviram a explosão ontem? E eles: Que explosão? Meu deus, carne de porco never more!!!



Escrito por Mauro Teixeira às 03h05
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Frase do Dia

O que o LINDemberg fez foi muito FEIOberg

Escrito por Mauro Teixeira às 02h11
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GPS

 

Não há dúvidas que, para pessoas desorientadas e perdidas, o GPS foi a melhor invenção do século. Ele indica o melhor caminho com uma precisão que nos deixa tranquilo em qualquer grande cidade. E a cada ano que se passa, a interatividade que o aparelho proporciona só aumenta. Um dia, certamente ele será assim:


GPS – Bom dia, Sandoval. Para onde vamos agora?

Sandoval – Para o prédio da Receita Federal, por favor!

GPS – Ok, calculando o melhor caminho. Aguarde....

Sandoval – Beleza

GPS – Saindo da garagem, vire à direita

Sandoval – Certo, deixa eu ligar o carro....vrrrumm...Poc! Puc! Zummm (morreu)

GPS – Seu carro morreu, dê a partida novamente

Sandoval – Jura? Que bom que você avisou. Faça só seu papel de GPS, por favor!

GPS – E você, faça o papel de bom motorista

Sandoval – Onde eu desligo a função GPS fanfarrão?

GPS – Desculpe, me exaltei. Vamos embora

Sandoval – Ok, me indica o caminho

GPS – Vire à direita

Sandoval – Não dá, não tá vendo que está em obras?

GPS – Então vire a próxima

Sandoval – Aqui?

GPS – Não, daqui a 298 Km. Claro que é aqui.

Sandoval – Isso que dá comprar GPS no camelô

GPS – Depois do semáforo, vire à esquerda

Sandoval – Que semáforo?

GPS – Esse que você acabou de passar no vermelho e fará você perder a carteira e ainda pagar uma multa de 1000 reais.

Sandoval – E porque não me avisou?

GPS – Porque você está me tratando mal e precisava de uma lição

Sandoval – Ah, era só o que me faltava. Um GPS temperamental

GPS – Para de reclamar e presta atenção no trânsito. Você já dirige mal, desatento então...

Sandoval – Vai tomar no %$#%$# seu GPS insolente

GPS – Ah, é? Então se vira pra achar a Receita Federal

Sandoval – Para de graça, pra onde eu vou?

GPS – ...

Sandoval – Vai, fala logo

GPS – ...

Sandoval – Não estou acreditando nisso. Deixa eu perguntar pra esses lutadores de jiu-jitsu. Amigos, onde fica a Receita Federal?

GPS – Aí, seus lutadores frutinhas, não tem homem pra mim aqui

Lutadores – O que você disse, seu calhorda?

Sandoval – Não fui eu, foi o GPS

Lutadores – Ah tá, quer que eu acredite nisso? Vai tomar um pau agora

GPS – Ai, que meda das bonecas lutadoras

Pau! Pow! Craft! Rasg! Ai! Ui!

Sandoval – Você me paga, seu GPS desgraçado

GPS – Ficou igualzinho sua voz, né?

Sandoval – Cala a Boca!

GPS – Hehehe. Bom, o prédio da Receita já fechou. Vamos voltar pra casa?

Sandoval – Você sabe voltar pra casa daqui?

GPS – Lógico

Sandoval – Então volta andando...vushhhh (arremessando pela janela)



Escrito por Mauro Teixeira às 03h19
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Novas Regras

 

Qual o real propósito das mudanças de ortografia da nossa língua portuguesa? Convenhamos, ela é totalmente desnecessária. É praticamente jogar no lixo o trabalho de séculos de nossos professores. Eu sou redator, convivo com a gramática e nem assim aprendi a grafia correta de 60% das palavras de nosso dicionário. E agora mudam a escrita por mero capricho? Bando de desocupados de uma figa. Tanta coisa para mudar em nosso país. E o pior é que, aparentemente, as transformações não seguiram critério algum. Seria mais ou menos se me dessem a responsabilidade para isso e eu fizesse algo mais ou menos assim:


10 novas regras da escrita


1 – Não se usa mais o acento em proparoxítona assintética em palavras com duplas vogais fonéticas, exceto em casos que o ditongo for precedido pelas consoantes c, x, m e g, desde que a elas sejam adicionados os prefixos ultra, mega, 19, 11 ou DDDs para estados do centro-oeste.


2 – Palavras com as dupla consoantes “rr”, “ss” e “cc” deixarão de ser aplicadas em palavras que designem comida italiana, como massa e macarrão. A partir da nova regra, elas serão substituídas por “ffhgg&%”. Logo, a grafia correta de massa, por exemplo, é maffhgg&%a


3 – Não existe mais vírgula. Aliás, não vai existir mais nenuma maneira de separar frases e pensamentos. Mas para que não haja confusão, as vírgulas serão temporariamente substituídas pelo sucessor do ponto e vírgula: o ponto e vírgula e travessão e dois pontos e colchetes.


4 – A ordem das vogais passará de A, E, I, O, U para I, U, O, E, G. É isso aí, G agora é vogal. Hahaha, sacaneei.


5 – A letra “A” terá som de “R”. Aliás, todas as letras terão som de “R”. Menos a letra “R” que terá som de scharzennegger biro-biro uouo ieie sem você não viverei


6 – A matemática será incorporada à língua portuguesa. Exemplos: 1 dia você me entenderá; 20 ver, meu amor; Meu filho está 10 munhecando; Alberto, 60? 100 essa, 1000 ton!


7 – A crase será extinta, exceto nos casos onde ela for necessária, ou seja, nada vai mudar. Ok, pra falar que mudamos, a crase deixará de ser um traço contrário ao acento agudo. Ela será simbolizada por uma tulipa-roxa afegã estilizada.


8 – Agora pra ferrar de vez: o acento circunflexo (chapeuzinho) terá sonoridade de acento agudo, exceto nos casos em que o mesmo estiver na letra “O” precedido da letra “C”. Neste caso, a palavra seguinte da frase pegará suas propriedades, mas com as seguintes alterações: caso a palavra seguinte começar em vogal, a segunda letra trocará de lugar com a quarta. Se a palavra seguinte não possuir 4 letras ou mais, o acento torna-se agudo com som de “til”


9 – A palavra “não” deixará de existir. Assim, tudo é permitido. Anarquia total. Ninguém é de ninguém.


10 – As palavras em braile serão espelhadas (a bolinha que está à direita ficará à esquerda)



Escrito por Mauro Teixeira às 03h25
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